"MORANGOS SILVESTRES"
" Quem só sabe de medicina, nem de medicina sabe." José de Letamendi O grande ciclone narrativo que atingiu o cinema na primeira década de cinquenta da sua história (façamos figas para que não tenha sido a última...) deve-se ao encontro fecundo entre os ventos culminantes do seu classicismo e os embrionários movimentos de ar requeridos pela modernização. “Morangos silvestres" é um tão grande paradigma deste equilíbrio improvável que poderia representar, no Olimpo desta arte a sete pés, a função de um deus Jano. A história do septuagenário Isak Borg que, no momento da mais alta consagração da sua passada atividade enquanto médico, se confronta com o teor muito pouco jubilatório dos aspetos não profissionais da sua vida, está urdida com o tipo de coerência que se presume nos diagnósticos implacáveis feitos a partir de sintomas na aparência muito desconexos. Os sonhos propostos são absolutamente credíveis enquanto tais (desde o motivo onírico quintessencial da incapacid...


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